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A importância do Teste Ergométrico no diagnóstico de doença arterial coronariana

O Teste Ergométrico (TE) é um método complementar que possui grande utilidade no estabelecimento do diagnóstico e orientação das condutas a serem adotadas na prevenção primária e secundária da doença arterial coronariana (DAC). Baixo custo, grande número de informações e alta reprodutibilidade fazem dele um dos exames mais solicitados na prática clínica cardiológica.

A análise clínica pré-teste é fundamental para a correta indicação e interpretação do exame. A validação de testes diagnósticos em população com alta prevalência de doença pode superestimar a sensibilidade do mesmo. Da mesma forma, a realização de um determinado teste em população com baixa prevalência de doença pode expressar especificidade falsamente elevada.

A probabilidade pré-teste para DAC pode ser determinada dentre outras formas pela tabela derivada do estudo de Diamond-Forrester¹, onde se comparam dados clínicos como as características da dor, idade e sexo dos pacientes com achados angiográficos. Nos pacientes que relatam sintomas e que possuem fatores de risco para DAC, Diamond e Forrester demonstraram que é possível, apenas através da anamnese, a obtenção de uma estimativa bastante aproximada do diagnóstico de DAC.  Já em pacientes assintomáticosa probabilidade pré-teste pode ser estimado pelo escore de Framingham, levando-se em conta  fatores de risco como diabetes melitus, hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, dislipidemia, história familiar de DAC precoce (presença de eventos em parentes de primeiro grau antes dos 55 anos em homens e antes de 65 anos em mulheres) e sedentarismo.

Segundo a III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)² sobre TE é recomendado como classe I para a avaliação os pacientes com probabilidade pré-teste intermediária para DAC, incluindo os portadores de bloqueio completo de ramo direito ou depressão do segmento ST < 1,0 mm no ECG em repouso (nível de evidência B), pacientes com síndromes coronarianas agudas considerados de baixo risco, após completa estabilização clínica e hemodinâmica, sem sinais de isquemia eletrocardiográfica ativa, sem sinais de disfunção ventricular ou arritmias complexas e com marcadores de necrose miocárdica normais (nível de evidência B), pacientes com doença coronária antes da alta hospitalar, para avaliar risco e prescrever atividades físicas (nível de evidência B), no diagnóstico diferencial de pacientes admitidos em unidade de dor torácica com sintomas atípicos e com possibilidade de doença coronariana (nível de evidência B), em qualquer momento no auxílio da avaliação do prognóstico em pacientes com doença cardiovascular estável (nível de evidência C).

A aplicação do TE objetivando avaliar respostas clínicas, eletrocardiográficas e hemodinâmicas necessita de rigorosa obediência às condições básicas da metodologia do procedimento. Somente assim podem ser obtidos resultados confiáveis, reprodutíveis e mensuráveis. A III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia² ressalta que sua realização com finalidade diagnóstica de DAC deve ocorrer sem o uso de medicações anti-isquêmicas, que devem ser suspensas de acordo com a meia-vida das drogas.

A Dra Gabriela Drummond Cotta de Oliveira comenta que, uma vez realizado o TE, além da informação diagnóstica, podemos obter informações prognósticas, sendo os principais marcadores de mau prognóstico: baixa capacidade funcional (< 4 METS); depressão ou elevação de ST ou arritmia ventricular grave em cargas baixas (< 5 METS), ou queda da pressão arterial sistólica durante o esforço.

No Sabincor são realizados exames de TE tanto para pacientes internos quanto externos e são valorizados os parâmetros propiciando um correto julgamento diagnóstico e prognóstico pelo médico assistente.

Referências Bibliográficas:

  1. Diamond GA, Forrester JS. Analysis of probability as an aid the clinical diagnosis of coronary-artery disease. N Engl J Med. 1979;300:1350-8.
  2. Meneghelo RS, Araújo CGS, Stein R, Mastrocolla LE, Albuquerque PF, Serra SM et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Teste Ergométrico. Arq Bras Cardiol 2010;95(5 supl.1):1-26.